Reflexos
Gaúchos estão mais parados na pandemia
Estudo da UFPel revela que 74,5% das pessoas estão sem atividades físicas e 74,2% têm dores na lombar
Leandro Lopes -
O estudo Prospective Study of Mental and Physical Health (Pampa), da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), avaliou os efeitos da pandemia da Covid-19 na saúde física e mental dos gaúchos e gaúchas.
A prevalência de inatividade física encontrada no Estado durante a pandemia foi 74,5%, onde 46,9% dos participantes que já eram inativos no período pré-pandemia mantiveram esse comportamento ao longo das medidas de isolamento.
A pesquisa foi realizada entre os dias 22 de junho e 23 de julho. Pessoas acima de 18 anos, de todas as regiões do Rio Grande do Sul, foram convidadas, através de mídias sociais, a participar do estudo. Eles responderam a um questionário on-line com perguntas referentes à prática de atividade física, dor lombar, sintomas de ansiedade e depressão, assim como acesso a serviços de saúde.
Entre as revelações do estudo, a dor lombar foi reportada por 74,2% dos participantes, sendo que 63,6% já tinham apresentado sintomas de dor lombar previamente à pandemia. Um aumento na intensidade da dor foi observado em 44,6% dos participantes. Ainda, foi registrada uma queda de 50% com relação à busca de tratamento para dor lombar. Pessoas que se tornaram ou se mantiveram inativas, apresentaram maior probabilidade de ter dor lombar durante a pandemia.
Menos atividades, mais chance de depressão
O estudo também questionou a respeito das atividades laborais, em que 39% dos participantes disseram que não conseguiram trabalhar em casa de forma remota. Ainda, 44% dos relataram uma redução dos rendimentos mensais desde o início das medidas de distanciamento social. Dentre esses, 41% informaram redução de pelo menos 50%.
O relato de sintomas moderados a graves de ansiedade e depressão aumentaram e foram relacionados também aos rendimentos mensais. O índice foi respectivamente de 8,4 e 7,3 vezes maior desde o início do distanciamento social. Mulheres, pessoas com doenças crônicas e aqueles que tiveram redução salarial apresentaram maior probabilidade de ter esses sintomas. Ainda, aqueles que começaram a praticar atividades físicas durante a pandemia, assim como quem já praticava, tiveram menor probabilidade durante o mesmo período.
Também foi observado que mais da metade dos participantes (56,9%) tinham o diagnóstico de alguma doença crônica, como depressão (18,5%) e hipertensão (14,3%). Dois em cada três participantes disseram que as medidas de distanciamento social estiveram associadas à manutenção ou melhora no controle de doenças crônicas.
O uso regular de medicamento foi relatado por 57,9% dos participantes e 17,9% falaram que não conseguiram ou que o acesso à medicação foi mais difícil. O serviço de saúde presencial foi o mais usado (83,3%) e 42,2% relataram ter desistido de procurar atendimento médico presencial mesmo quando necessário.
O medo de contrair o novo coronavírus foi o principal motivo pela escolha de não buscar atendimento médico presencial.
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